Angioplastia Coronariana: O Que É, Como É Feita e Quais Dispositivos São Utilizados

Angioplastia Coronariana: O Que É e Como Funciona | VinceMed

Angioplastia coronariana: Quais Dispositivos São Utilizados. Vincemed

A angioplastia coronariana é o procedimento intervencionista mais realizado no Brasil para o tratamento da doença arterial coronariana. Também chamada de intervenção coronariana percutânea (ICP), ela consiste na desobstrução de artérias coronárias estreitadas ou bloqueadas por placas de aterosclerose, utilizando cateter-balão e, na maioria dos casos, implante de stent.

Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) mostram que a angioplastia coronariana respondeu por cerca de 59% de todos os procedimentos cardiovasculares cirúrgicos e intervencionistas realizados no Brasil entre 2008 e 2019, com mais de 755 mil procedimentos acumulados nesse período. A relação entre angioplastias e cirurgias de revascularização miocárdica (CRVM) quase dobrou na última década, refletindo a consolidação da ICP como estratégia preferencial de revascularização.

Este artigo explica como a angioplastia coronariana é realizada, quais dispositivos são necessários em cada etapa e quando ela é indicada.

O que é a angioplastia coronariana?

A angioplastia coronariana, ou intervenção coronariana percutânea (ICP), é um procedimento minimamente invasivo realizado no laboratório de hemodinâmica por um cardiologista intervencionista. Seu objetivo é restaurar o fluxo sanguíneo em artérias coronárias obstruídas ou significativamente estreitadas pela aterosclerose, condição em que placas de gordura, colesterol e outras substâncias se acumulam na parede interna da artéria.

O procedimento é realizado por via percutânea, ou seja, sem necessidade de abertura do tórax. O acesso ao sistema arterial é feito por uma punção na artéria radial (no punho) ou na artéria femoral (na virilha), e todos os dispositivos são conduzidos por dentro dos vasos até as artérias coronárias sob orientação fluoroscópica (raios-X em tempo real).

Diferente do cateterismo cardíaco diagnóstico, que tem função apenas de identificação e avaliação das lesões, a angioplastia é um procedimento terapêutico: ela trata a obstrução. Na prática clínica, muitas vezes o cateterismo diagnóstico e a angioplastia são realizados na mesma sessão, quando a lesão identificada atende aos critérios para intervenção imediata.

Quando a angioplastia coronariana é indicada?

A indicação da angioplastia segue critérios clínicos e anatômicos definidos pelas diretrizes cardiológicas nacionais e internacionais. As situações mais frequentes incluem:

Infarto agudo do miocárdio (IAM): a angioplastia primária é o tratamento padrão para pacientes com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST). A desobstrução rápida da artéria coronária responsável pelo infarto reduz a mortalidade e limita a extensão da lesão cardíaca. O tempo porta-balão (intervalo entre a chegada do paciente ao hospital e a insuflação do balão na artéria) é um indicador de qualidade reconhecido internacionalmente.

Angina estável refratária: quando o paciente apresenta dor no peito (angina) causada por obstrução coronariana significativa e os sintomas não são adequadamente controlados com medicação.

Síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento de ST (SCA-SSST): pacientes com angina instável ou infarto sem supra de ST podem ser submetidos a angioplastia em estratégia invasiva precoce, conforme estratificação de risco.

Doença arterial coronariana com isquemia documentada: pacientes com evidência objetiva de isquemia miocárdica em testes funcionais (teste de esforço, cintilografia, ressonância) e lesões coronarianas anatomicamente adequadas para ICP.

A decisão entre angioplastia e cirurgia de revascularização do miocárdio depende de fatores como o número de vasos acometidos, a complexidade anatômica das lesões, a função ventricular, as comorbidades do paciente e a avaliação conjunta entre cardiologista clínico, intervencionista e cirurgião cardiovascular (Heart Team).

Como a angioplastia coronariana é feita: passo a passo

O procedimento segue uma sequência de etapas bem definidas, cada uma dependendo de dispositivos específicos. A seguir, descrevemos o fluxo completo de uma angioplastia coronariana com implante de stent.

Etapa 1: Acesso vascular

O paciente recebe anestesia local no sítio de punção e, em alguns casos, sedação leve. O cardiologista intervencionista realiza a punção da artéria radial (acesso radial, hoje preferencial na maioria dos centros) ou da artéria femoral (acesso femoral).

Em seguida, um introdutor vascular (sheath) é inserido na artéria pela técnica de Seldinger. O introdutor funciona como um portal protegido por onde os cateteres entram e saem do sistema arterial durante todo o procedimento.

Etapa 2: Cateterismo e avaliação das artérias

Com auxílio de um fio-guia diagnóstico de 0,035", o cateter-guia é avançado pelo sistema arterial até o óstio da artéria coronária esquerda ou direita. Contraste iodado é injetado através do manifold para visualizar as artérias coronárias sob fluoroscopia.

O manifold é o dispositivo central de controle de fluidos: conecta simultaneamente a linha de contraste, a solução salina heparinizada e o transdutor de pressão, permitindo ao operador alternar entre funções (injeção de contraste, flush, leitura de pressão) sem desconectar o sistema. As torneiras de alta pressão integradas ao circuito controlam o direcionamento dos fluidos.

Nessa etapa, o cardiologista identifica e avalia as lesões coronarianas, definindo a estratégia de tratamento.

Etapa 3: Cruzamento da lesão com fio-guia

A válvula hemostática (conector Y) é conectada à extremidade proximal do cateter-guia. Essa válvula impede a perda de sangue e a entrada de ar enquanto permite a passagem do fio-guia coronariano de 0,014" pelo canal principal.

O fio-guia é avançado sob fluoroscopia através da artéria coronária até ultrapassar a lesão (estenose ou oclusão). A seleção do modelo adequado depende da complexidade da lesão: fios-guia com revestimento PTFE (teflonado) são utilizados na maioria dos casos de rotina, enquanto fios hidrofílicos ou com jaqueta polimérica são reservados para lesões mais complexas.

Uma vez posicionado além da lesão, o fio-guia permanece no lugar como trilho sobre o qual os dispositivos terapêuticos serão avançados.

Etapa 4: Pré-dilatação com cateter-balão

O cateter-balão é avançado sobre o fio-guia até o local da estenose. O insuflador de balão, uma seringa de alta pressão com manômetro, é conectado ao cateter-balão e utilizado para inflar o balão com pressão controlada.

A insuflação comprime a placa de ateroma contra a parede da artéria, ampliando a luz do vaso e restabelecendo o fluxo sanguíneo. A pressão de insuflação é monitorada pelo manômetro do insuflador, que permite ao operador atingir a pressão nominal do balão (indicada pelo fabricante) sem ultrapassar a pressão máxima de ruptura (RBP, rated burst pressure).

Após a dilatação, o cateter-balão é desinflado e retirado, mantendo o fio-guia em posição.

Etapa 5: Implante de stent

Na maioria dos casos, após a pré-dilatação, um stent coronariano é posicionado no local da lesão. O stent é uma estrutura tubular de metal (cromo-cobalto, aço inoxidável ou nitinol) montada sobre um cateter-balão, que é avançado sobre o fio-guia até o local tratado.

O insuflador de balão é novamente utilizado para inflar o balão do sistema de entrega, expandindo o stent contra a parede da artéria. Após a remoção do cateter-balão, o stent permanece implantado definitivamente, mantendo a artéria aberta.

Os stents podem ser metálicos convencionais (BMS, bare-metal stent) ou farmacológicos (DES, drug-eluting stent), que liberam medicamento localmente para reduzir o risco de reestenose (reobstrução). Atualmente, a grande maioria dos implantes utiliza stents farmacológicos.

Etapa 6: Avaliação final e retirada dos dispositivos

Após o implante, uma nova injeção de contraste é realizada para confirmar o resultado: fluxo adequado, expansão completa do stent e ausência de complicações (dissecção residual, trombose aguda).

Os dispositivos (cateter-balão, fio-guia, cateter-guia) são então retirados, e o introdutor vascular é removido.

Etapa 7: Hemostasia

No acesso radial, a hemostasia é obtida com a aplicação de uma pulseira de compressão radial sobre o sítio de punção. A pulseira aplica pressão graduável e controlada, promovendo hemostasia com preservação do fluxo arterial (hemostasia patente), conforme recomendado pelas diretrizes internacionais.

No acesso femoral, a hemostasia pode ser obtida por compressão manual ou por dispositivos de fechamento vascular.

Os dispositivos que fazem a angioplastia acontecer

Todo o procedimento descrito acima depende de um conjunto integrado de correlatos hospitalares descartáveis. Cada dispositivo tem uma função específica, e a compatibilidade, a confiabilidade e a qualidade de cada um impactam diretamente a segurança do paciente e a fluidez do procedimento.

Os principais correlatos utilizados na angioplastia coronariana são:

Introdutor vascular: estabelece e mantém o acesso arterial.

Cateter-guia: canal de trabalho avançado até o óstio coronariano.

Manifold: hub central de controle de fluidos (contraste, solução salina, pressão).

Torneiras de alta pressão (stopcocks): controlam o direcionamento de fluidos no circuito.

Válvula hemostática (conector Y): mantém vedação hemostática durante a passagem de dispositivos pelo cateter-guia.

Fio-guia coronariano (0,014"): navega e cruza a lesão, servindo de trilho para os dispositivos terapêuticos.

Cateter-balão: realiza a dilatação da lesão por pressão controlada.

Insuflador de balão: seringa de alta pressão com manômetro para insuflação precisa.

Stent coronariano: estrutura implantada permanentemente para manter a artéria aberta.

Pulseira de compressão radial: promove hemostasia no sítio de punção radial após o procedimento.

Acesso radial vs. acesso femoral

O acesso radial (pela artéria do punho) tornou-se a via preferencial para angioplastia coronariana na maioria dos centros de cardiologia intervencionista no Brasil e no mundo. Comparado ao acesso femoral (pela virilha), o acesso radial oferece menor taxa de complicações vasculares no sítio de punção, permite deambulação precoce do paciente, reduz o tempo de internação e melhora o conforto pós-procedimento.

No acesso radial, a hemostasia é obtida com a pulseira de compressão radial, que é aplicada imediatamente após a retirada do introdutor. A técnica de hemostasia patente, em que a compressão permite a manutenção parcial do fluxo arterial, é recomendada para reduzir o risco de oclusão da artéria radial (RAO).

O acesso femoral permanece indicado em situações específicas, como necessidade de dispositivos de maior calibre, suporte circulatório mecânico ou impossibilidade de uso das artérias radiais.

Riscos e complicações

A angioplastia coronariana é um procedimento seguro quando realizado por equipe treinada e com dispositivos de qualidade. No entanto, como todo procedimento invasivo, envolve riscos. As complicações mais relevantes incluem:

Complicações no sítio de acesso: hematoma, sangramento, pseudoaneurisma (mais comuns no acesso femoral) ou oclusão da artéria radial (acesso radial, reduzida com hemostasia patente).

Dissecção coronariana: lesão na parede da artéria durante a manipulação dos dispositivos, geralmente tratada com implante adicional de stent.

Trombose de stent: formação de coágulo dentro do stent, complicação rara mas grave, reduzida pelo uso de terapia antiplaquetária dupla e stents farmacológicos de nova geração.

Reestenose: reobstrução gradual da artéria no local tratado. Os stents farmacológicos reduziram significativamente a incidência de reestenose em comparação com os stents metálicos convencionais.

Nefropatia induzida por contraste: comprometimento transitório da função renal pelo contraste iodado, especialmente em pacientes com doença renal prévia.

A mortalidade hospitalar média da angioplastia coronariana no SUS é de aproximadamente 2,3% a 3%, variando conforme a indicação (eletiva vs. emergência), a complexidade da lesão e a experiência do centro.

A VinceMed e a angioplastia coronariana

A VinceMed é uma distribuidora brasileira especializada em dispositivos para hemodinâmica e cardiologia intervencionista. Nosso portfólio inclui os correlatos essenciais para a realização da angioplastia coronariana: insufladores de balão, manifolds, válvulas hemostáticas, fios-guia PTFE, torneiras de alta pressão e pulseiras de compressão radial.

Todos os produtos VinceMed possuem registro na Anvisa, são fornecidos estéreis em embalagem individual e atendem às normas de biocompatibilidade exigidas para dispositivos utilizados em procedimentos invasivos.

Trabalhamos em parceria com equipes de hemodinâmica em todo o Brasil, fornecendo dispositivos confiáveis para cada etapa do procedimento. Para conhecer nossa linha completa, acesse vincemed.com.br.

Perguntas frequentes sobre angioplastia coronariana

O que é angioplastia coronariana?

A angioplastia coronariana, ou intervenção coronariana percutânea (ICP), é um procedimento minimamente invasivo realizado no laboratório de hemodinâmica para desobstruir artérias coronárias estreitadas ou bloqueadas pela aterosclerose. Utiliza cateter-balão para dilatar a lesão e, na maioria dos casos, inclui o implante de um stent para manter a artéria aberta.

Qual a diferença entre cateterismo e angioplastia?

O cateterismo cardíaco (angiografia coronária) é um procedimento diagnóstico que permite visualizar as artérias coronárias e identificar obstruções. A angioplastia é um procedimento terapêutico que trata a obstrução identificada, dilatando a lesão com cateter-balão e implantando stent. Muitas vezes ambos são realizados na mesma sessão.

Como é feita a angioplastia passo a passo?

O procedimento envolve sete etapas principais: acesso vascular por punção radial ou femoral, avanço do cateter-guia até o óstio coronariano, cruzamento da lesão com fio-guia de 0,014", pré-dilatação com cateter-balão, implante de stent, avaliação final com contraste e hemostasia do sítio de punção.

O que é o insuflador de balão e qual seu papel na angioplastia?

O insuflador de balão é uma seringa de alta pressão com manômetro integrado, utilizada para inflar e desinflar o cateter-balão e o sistema de entrega do stent durante a angioplastia. Ele permite monitorar e controlar com precisão a pressão aplicada ao balão, garantindo que a pressão nominal seja atingida sem ultrapassar a pressão máxima de ruptura do dispositivo.

Por que o acesso radial é preferido na angioplastia?

O acesso radial (punção na artéria do punho) é preferido por apresentar menor taxa de complicações vasculares, permitir deambulação precoce, reduzir o tempo de internação e melhorar o conforto do paciente. A hemostasia é obtida com pulseira de compressão radial, que aplica pressão graduável preservando o fluxo arterial.

Quais são os riscos da angioplastia coronariana?

As principais complicações incluem hematoma ou sangramento no sítio de acesso, dissecção coronariana, trombose de stent, reestenose e nefropatia induzida por contraste. A mortalidade hospitalar média no Brasil varia de 2,3% a 3%, dependendo da indicação e da complexidade do caso. A angioplastia é considerada segura quando realizada por equipe especializada com dispositivos de qualidade.

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