Hemodinâmica

Cateterismo Cardíaco: O Que É, Como É Feito, Preparo e Recuperação

Cateterismo Cardíaco: O Que É e Como É Feito | VinceMed

Cateterismo Cardíaco: O Que É e Como É Feito | VinceMed

O cateterismo cardíaco é um dos procedimentos mais realizados na cardiologia brasileira. Segundo o relatório Estatística Cardiovascular Brasil 2020, publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no país desde a década de 1960, sendo responsáveis por cerca de 30% de todos os óbitos. O cateterismo é a ferramenta central para investigar e planejar o tratamento dessas doenças, especialmente a doença arterial coronariana.

Este artigo explica de forma completa o que é o cateterismo cardíaco, como ele é realizado, qual o preparo necessário, os riscos envolvidos, a recuperação e qual a diferença entre cateterismo e angioplastia.

O que é cateterismo cardíaco?

O cateterismo cardíaco é um procedimento médico invasivo no qual um cateter (tubo fino e flexível) é inserido em um vaso sanguíneo periférico e conduzido até o coração sob orientação por fluoroscopia (raios-X em tempo real). Ele também é conhecido como cinecoronariografia, angiografia coronária ou estudo hemodinâmico.

O procedimento é realizado no laboratório de hemodinâmica, um ambiente hospitalar equipado com sistema de fluoroscopia de alta resolução (arco em C), polígrafo para monitoramento de pressões, injetora de contraste e monitores para acompanhamento dos sinais vitais.

O cateterismo cardíaco permite ao cardiologista intervencionista visualizar o interior das artérias coronárias, medir as pressões dentro das câmaras cardíacas, avaliar o funcionamento das válvulas do coração e identificar obstruções no fluxo sanguíneo. A visualização das artérias é possível pela injeção de contraste iodado, um líquido radiopaco que torna os vasos visíveis nas imagens de fluoroscopia.

O procedimento é considerado o exame padrão-ouro para o diagnóstico da doença arterial coronariana, oferecendo informações anatômicas e funcionais que nenhum exame não invasivo consegue replicar com o mesmo nível de detalhe.

Quando o cateterismo cardíaco é indicado?

A indicação do cateterismo parte do cardiologista clínico, geralmente após avaliação de sintomas e resultados de exames não invasivos. As situações mais frequentes são:

Investigação de dor no peito (angina): quando o paciente apresenta dor torácica sugestiva de origem coronariana, especialmente se exames como teste de esforço, cintilografia miocárdica ou angiotomografia de coronárias indicam possível isquemia.

Infarto agudo do miocárdio: no contexto de um infarto, o cateterismo é realizado em caráter de emergência para identificar a artéria obstruída e, na maioria dos casos, tratar a obstrução imediatamente com angioplastia e implante de stent (angioplastia primária).

Avaliação pré-operatória de cirurgia cardíaca: antes de cirurgias como a revascularização do miocárdio (ponte de safena) ou troca valvar, o cateterismo é realizado para mapear a anatomia coronariana.

Doença valvar cardíaca: para avaliar a gravidade de doenças nas válvulas do coração (estenose aórtica, insuficiência mitral) e medir as pressões intracardíacas.

Insuficiência cardíaca de causa não esclarecida: quando é necessário investigar se a causa da disfunção cardíaca está relacionada a obstruções coronarianas.

Cardiopatias congênitas: para avaliação detalhada de defeitos cardíacos presentes desde o nascimento.

Resultado alterado em exame funcional: quando testes não invasivos (ergometria, ecocardiograma de estresse, cintilografia) demonstram alterações sugestivas de isquemia que justificam investigação invasiva.

Como o cateterismo cardíaco é feito: passo a passo

O procedimento segue uma sequência padronizada de etapas. Em condições habituais, o cateterismo diagnóstico dura de 20 a 40 minutos.

Preparação na sala

O paciente é posicionado na mesa do laboratório de hemodinâmica. A equipe conecta eletrodos para monitoramento cardíaco contínuo (eletrocardiograma), oxímetro de pulso e manguito para aferição da pressão arterial. Uma veia periférica no braço é puncionada para eventual administração de medicação ou soro.

O paciente permanece acordado durante todo o procedimento. Em muitos centros, é administrada sedação leve para conforto e redução da ansiedade. A anestesia é local, aplicada no sítio de punção.

Acesso vascular

O cardiologista intervencionista realiza uma pequena punção em uma artéria periférica. As duas vias de acesso mais utilizadas são:

Acesso radial (pelo punho): tornou-se a via preferencial na maioria dos centros de hemodinâmica no Brasil e no mundo. A artéria radial é puncionada no punho, e um introdutor vascular é inserido. As vantagens do acesso radial incluem menor taxa de complicações vasculares no sítio de punção, deambulação imediata do paciente após o procedimento e maior conforto na recuperação.

Acesso femoral (pela virilha): a artéria femoral é puncionada na região inguinal. Permanece indicado em situações específicas, como necessidade de cateteres de maior calibre ou impossibilidade de uso do acesso radial.

Após a punção, o introdutor vascular é inserido na artéria. O introdutor funciona como um portal protegido por onde os cateteres entram e saem do vaso sem causar trauma adicional à parede arterial.

Navegação dos cateteres

Com auxílio de um fio-guia diagnóstico (de 0,035" de diâmetro), o cateter é avançado pelo interior da artéria, passando pela aorta até o coração. O fio-guia serve como trilho para o cateter, e o cardiologista acompanha todo o trajeto em tempo real pela fluoroscopia.

Cateteres de formatos específicos são posicionados nos óstios (entradas) da artéria coronária esquerda e direita.

Injeção de contraste e registro de imagens

O manifold, dispositivo central de controle de fluidos do laboratório de hemodinâmica, é conectado ao cateter. Através do manifold, o cardiologista injeta contraste iodado diretamente nas artérias coronárias.

O contraste preenche o interior das artérias, tornando-as visíveis nas imagens de fluoroscopia. Essas imagens são gravadas em múltiplas angulações, permitindo a avaliação tridimensional da anatomia coronariana. Cada injeção dura poucos segundos, e o paciente pode sentir uma breve sensação de calor durante a administração do contraste.

As torneiras de alta pressão integradas ao circuito do manifold controlam o direcionamento dos fluidos (contraste e solução salina) durante todo o procedimento.

Medidas hemodinâmicas

Além da visualização das artérias, o cateterismo permite a medida das pressões dentro das câmaras cardíacas (átrios e ventrículos) e dos grandes vasos (aorta, artéria pulmonar). Essas medidas são registradas pelo polígrafo e fornecem informações sobre a função do coração e a gravidade de doenças valvares.

A ventriculografia, quando realizada, avalia o movimento das paredes do ventrículo esquerdo e permite estimar a fração de ejeção, um indicador fundamental da capacidade de bombeamento do coração.

Finalização e hemostasia

Após a obtenção de todas as imagens e medidas, os cateteres e o introdutor são retirados. A hemostasia (controle do sangramento) no sítio de punção é realizada de acordo com a via de acesso utilizada:

No acesso radial: aplica-se uma pulseira de compressão radial sobre o punho. A pulseira exerce pressão graduável e controlada sobre o ponto de punção, promovendo hemostasia sem ocluir completamente a artéria (hemostasia patente). O paciente pode deambular imediatamente após o procedimento.

No acesso femoral: realiza-se compressão manual sobre a região inguinal ou utiliza-se um dispositivo de fechamento vascular. O paciente precisa permanecer em repouso no leito por algumas horas com a perna estendida.

Qual a diferença entre cateterismo e angioplastia?

Essa é uma das dúvidas mais frequentes entre pacientes e profissionais de saúde, e é importante esclarecer:

Cateterismo cardíaco (cinecoronariografia): é um procedimento diagnóstico. Sua função é investigar, identificar obstruções e avaliar a anatomia e função do coração. Ele não trata a obstrução.

Angioplastia coronariana (intervenção coronariana percutânea, ICP): é um procedimento terapêutico. Sua função é tratar a obstrução identificada, dilatando a lesão com cateter-balão e, na maioria dos casos, implantando um stent para manter a artéria aberta.

Na prática, o cateterismo e a angioplastia podem ser realizados na mesma sessão. Quando o cardiologista identifica uma obstrução significativa durante o cateterismo diagnóstico e as condições são adequadas, ele pode decidir, junto com a equipe, tratar a lesão imediatamente com angioplastia, sem a necessidade de agendar um segundo procedimento.

Os dispositivos utilizados são em parte os mesmos (introdutor, cateter-guia, manifold, torneiras, fio-guia), mas a angioplastia acrescenta o uso de cateter-balão, insuflador de balão, stent e válvula hemostática.

Preparo para o cateterismo cardíaco

O preparo adequado contribui para a segurança e o bom andamento do procedimento. As orientações mais comuns incluem:

Jejum: geralmente é solicitado jejum de 4 a 8 horas antes do procedimento, conforme orientação da equipe médica.

Medicamentos em uso: o paciente deve informar todos os medicamentos que utiliza, especialmente anticoagulantes (varfarina, rivaroxabana, apixabana) e antidiabéticos (metformina). A equipe médica orientará se algum medicamento deve ser suspenso ou ajustado.

Alergias: é fundamental informar qualquer histórico de alergia, principalmente a iodo, contraste radiológico ou frutos do mar. Pacientes com alergia documentada ao contraste precisam de preparo especial com medicações anti-alérgicas antes do procedimento.

Função renal: pacientes com doença renal crônica ou função renal comprometida necessitam atenção especial, pois o contraste iodado pode ser nefrotóxico. A equipe pode solicitar hidratação endovenosa antes e após o procedimento para proteção renal.

Exames prévios: é recomendável levar exames cardiológicos recentes (eletrocardiograma, ecocardiograma, teste de esforço, cintilografia), exames de sangue (função renal, hemograma, coagulograma) e relatórios de procedimentos cardíacos anteriores.

Acompanhante: é obrigatória a presença de um acompanhante adulto no dia do procedimento.

Riscos e complicações do cateterismo

O cateterismo cardíaco diagnóstico é considerado um procedimento seguro. Complicações graves são raras, ocorrendo em menos de 1% dos casos nos centros com volume adequado de procedimentos. Entretanto, como todo procedimento invasivo, envolve riscos:

Complicações no sítio de acesso: sangramento, hematoma ou pseudoaneurisma no local da punção. São mais frequentes no acesso femoral e significativamente reduzidas com o acesso radial.

Reação ao contraste: reações alérgicas ao contraste iodado, variando de leves (urticária, náusea) a graves (reação anafilática, situação muito rara). O preparo anti-alérgico reduz o risco em pacientes com histórico.

Nefropatia induzida por contraste: comprometimento transitório da função renal, especialmente em pacientes com doença renal prévia ou diabetes. A hidratação adequada antes e após o procedimento é a principal medida preventiva.

Arritmias: alterações do ritmo cardíaco durante a manipulação dos cateteres, geralmente autolimitadas.

Complicações vasculares: dissecção arterial, trombose ou embolização durante a navegação dos cateteres. São raras com o uso de materiais de qualidade e técnica adequada.

Infarto ou AVC: complicações extremamente raras, descritas em menos de 0,1% dos cateterismos diagnósticos.

A taxa de mortalidade do cateterismo diagnóstico é muito baixa, estimada em menos de 0,1% em grandes séries.

Recuperação após o cateterismo

A recuperação do cateterismo diagnóstico costuma ser rápida:

Acesso radial: o paciente pode se levantar e caminhar logo após o procedimento. A pulseira de compressão radial permanece no punho por 2 a 4 horas, com descompressão gradual. A alta hospitalar pode ocorrer algumas horas após o procedimento, caso não haja indicação de angioplastia ou internação por outro motivo.

Acesso femoral: o paciente permanece em repouso no leito por 4 a 6 horas com a perna estendida, até que a hemostasia no sítio de punção esteja completa. A alta hospitalar geralmente ocorre no mesmo dia ou na manhã seguinte.

Em ambos os casos, recomenda-se ingestão abundante de líquidos após o procedimento para auxiliar na eliminação do contraste pelos rins. O paciente deve observar o sítio de punção nas horas seguintes, comunicando à equipe médica qualquer sinal de sangramento, inchaço ou dor incomum.

Atividades físicas intensas devem ser evitadas nos primeiros dias, conforme orientação médica.

Os dispositivos por trás do cateterismo

Todo cateterismo cardíaco depende de um conjunto de correlatos hospitalares descartáveis que a equipe utiliza a cada procedimento. Esses dispositivos são estéreis, de uso único, e sua qualidade impacta diretamente a segurança e a eficiência do procedimento.

Os principais correlatos incluem: introdutor vascular, cateteres diagnósticos, fio-guia de 0,035", manifold (hub de controle de fluidos), torneiras de alta pressão (stopcocks) e pulseira de compressão radial para hemostasia. Se o cateterismo evoluir para angioplastia, somam-se o cateter-guia, o fio-guia coronariano de 0,014", a válvula hemostática (conector Y), o cateter-balão e o insuflador de balão.

A VinceMed e o laboratório de hemodinâmica

A VinceMed é uma distribuidora brasileira especializada em dispositivos para hemodinâmica e cardiologia intervencionista. Nosso portfólio inclui os correlatos essenciais para o cateterismo cardíaco e a angioplastia coronariana: insufladores de balão, manifolds, válvulas hemostáticas, fios-guia PTFE, torneiras de alta pressão e pulseiras de compressão radial.

Todos os produtos VinceMed possuem registro na Anvisa, são fornecidos estéreis em embalagem individual e atendem às normas de biocompatibilidade exigidas para dispositivos utilizados em procedimentos invasivos.

Trabalhamos em parceria com equipes de hemodinâmica em todo o Brasil. Para conhecer nossa linha completa, acesse vincemed.com.br.

Perguntas frequentes sobre cateterismo cardíaco

O que é cateterismo cardíaco?

O cateterismo cardíaco é um procedimento invasivo no qual um cateter (tubo fino e flexível) é inserido em uma artéria do punho ou da virilha e conduzido até o coração para diagnosticar doenças cardíacas, especialmente obstruções nas artérias coronárias. Também é chamado de cinecoronariografia, angiografia coronária ou estudo hemodinâmico.

Como é feito o cateterismo?

O paciente recebe anestesia local e, em alguns casos, sedação leve. O médico realiza uma punção na artéria radial (punho) ou femoral (virilha), insere um introdutor vascular e avança cateteres até o coração. Contraste iodado é injetado nas artérias coronárias para visualização sob fluoroscopia. O procedimento dura de 20 a 40 minutos.

Qual a diferença entre cateterismo e angioplastia?

O cateterismo é um procedimento diagnóstico que identifica obstruções nas artérias. A angioplastia é um procedimento terapêutico que trata essas obstruções com cateter-balão e implante de stent. Ambos podem ser realizados na mesma sessão: se o cateterismo detectar obstrução significativa, a angioplastia pode ser feita imediatamente.

O cateterismo pelo punho é melhor que pela virilha?

O acesso radial (pelo punho) é atualmente a via preferencial na maioria dos centros de hemodinâmica. Oferece menor taxa de complicações vasculares, permite que o paciente se levante logo após o procedimento e proporciona recuperação mais rápida e confortável. O acesso femoral (pela virilha) permanece indicado em situações específicas.

Quais os riscos do cateterismo cardíaco?

O cateterismo diagnóstico é considerado seguro, com complicações graves em menos de 1% dos casos. Os riscos incluem sangramento no sítio de punção, reação ao contraste, nefropatia induzida por contraste e arritmias transitórias. A mortalidade é estimada em menos de 0,1% nos centros com volume adequado de procedimentos.

Quanto tempo dura a recuperação do cateterismo?

No acesso radial, o paciente pode se levantar imediatamente e costuma receber alta algumas horas após o procedimento. No acesso femoral, é necessário repouso de 4 a 6 horas. Em ambos os casos, recomenda-se ingestão abundante de líquidos para auxiliar na eliminação do contraste.

É preciso jejum para o cateterismo?

Sim. Geralmente é solicitado jejum de 4 a 8 horas antes do procedimento. A equipe médica fornecerá orientações específicas sobre jejum, medicamentos e cuidados prévios.

O cateterismo dói?

O paciente sente apenas a picada da anestesia local no sítio de punção (punho ou virilha). Durante o procedimento, pode haver sensação de calor momentânea quando o contraste é injetado, mas o procedimento em si não é doloroso. A sedação leve, quando utilizada, ajuda a manter o conforto.

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